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Qual a batalha real entre Apple, Microsoft e Google

A guerra é de ecossistemas e convergência. Não se trata de quem tem o melhor espaço, memória ram ou a melhor câmera. Com uma semana de apresentações da Apple, Microsoft e Google, a batalha se confirma focada mais na experiência de uso do que “no melhor dispositivo”.

A Apple ditou a tendência, então segue apenas construindo e mantendo seu domínio. Sendo dono de mais de um produto da maçã, é possível sincronizar todos os seus conteúdos com facilidade. As fotos, aplicativos e livros comprados estão em todos os dispositivos, sem muito esforço. Podem vir 30 outras variações do iPads e iPhones e tudo sempre será construído nessa premissa. A qualidade dos seus produtos determina seu domínio no mercado, mas seriam muito pouco sem a vastidão de opções de aplicações que geram facilidades, conexões e convergência.

Em sua apresentação, a Microsoft escolheu reforçar seus novos rumos para a imprensa. Agora, a empresa busca se reerguer: sai da fase automática de atualizar Windows e Office ano após ano, sem grandes novidades. Em 2012 ela se transforma, com novo vigor competitivo, numa marca de hardware e software. Aproveita todos os pontos que conquistou com o combo Xbox e Kinect e, na era pós-PC, transforma o Windows em sistema convergente. Agora ele é presente em diferentes dispositivos: tablets, PCs, smartphones e com pontes no console Xbox. Reformulando marca e comunicação, a Microsoft ganha nova visibilidade. Aposta no tablet Surface, na nova estética e funcionalidades do Windows 8, junto à plataforma de entretenimento Xbox Music.

Com timidez, a Google não chega perto da força dos outros dois gigantes no quesito hardware, mas entende muito bem de ecossistemas. A gigante das buscas é a marca mais invisível nesse processo: já usamos Gmail e Google Docs sem notar sua praticidade e eficiência. Com o avanço do Android, seu sistema de dispositivos móveis, a busca agora é fazer a Google Play (sua loja de aplicativos e conteúdo) algo mais atrativo para o público e desenvolvedores. Com o novo tablet Nexus 10 e seu preço bastante competitivo (100 dólares mais barato que o iPad mais simples, com configuração similar), a Google pode dar novos passos e surpreender. Precisa, porém, ser mais agressiva no hardware para chegar no patamar da Apple e, agora, da Microsoft.

Ainda que o domínio da Apple seja real, há lacunas deixadas pela maçã. Os preços altos assustam o público e os desenvolvedores têm problemas com o hermetismo dos sistemas. Muitos já começam a produzir suas ideias focadas exclusivamente para Android e Windows 8, sistemas que se mostraram mais abertos. Isso beneficia a profusão de ideias e pode ajudar Google e Microsoft, mas não há quem não queira produzir inovação para alcançar a fatia de consumidores Apple com seu poder aquisitivo.

Na prática, um fator é crucial: nossas salas estão em transformação. Apple e Microsoft oferecem, cada vez mais, novas possibilidades de uma nova relação entre TV, tablets, smartphones e consoles de videogame. Na era pós-PC, tudo passa a ser nosso meio de chegar à informação e entretenimento. Quem conseguir proporcionar a melhor experiência para esta nova dinâmica, dominará o mercado.

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