Etiqueta mobile e a Economia da atenção

Somos cada vez mais “mobile”, adeptos ao mundo dos smartphones e tablets. Informação e conexões constantes, do bolso para as mãos, digitando tudo com velocidade, utilizando messengers, SMS, aplicativos de mídias sociais, compartilhando tudo que acontece. Uma pesquisa recente feita pela Intel em 8 países do mundo, incluindo o Brasil, revela que tudo isso está irritando muita gente.

Um cartum que encontrei na Internet esses dias retratava a cena de um casal sentado à mesa de um restaurante. O rapaz estava concentrado no seu smartphone e a moça afirmava categoricamente: “você quer que eu coloque seu celular pendurado na minha testa, ao menos pra parecer que está me dando atenção?”.

A pesquisa da Intel explica: 95% dos brasileiros gostariam que as pessoas tivessem mais educação ao usar o celular e 47% se irrita quando alguém está mandando mensagens na companhia de outras pessoas. O número é maior, obviamente por preocupações com sua segurança, quando se fala de mandar mensagens enquanto dirige. Conversas ou toques muito altos no celular, em público, perturbam 68% e 62% dos pesquisados, respectivamente.

Nos bares a brincadeira é deixar todos os smartphones em cima da mesa, largar o iMessage, Whatsapp e, quem pegar o telefone primeiro paga a conta. Mas como lidar com a vontade extrema de compartilhar os momentos? A pesquisa da Etiqueta Mobile indica que 92% dos brasileiros compartilham informações on-line e 23% faz isso algumas vezes por dia (27% algumas vezes por semana). Mas tem gente, sim, que faz isso várias vezes em sua jornada diária: 16%. O que mais compartilhamos? Fotos, fotos e mais fotos: 68% dos brasileiros investe tempo nelas quando usa dispositivos móveis. Esportes, dia a dia, participação em eventos, opiniões políticas e recomendações de compras ocupam quase empatados o segundo lugar de preferência, ficando por volta dos 45%.

No mundo das mídias sociais, 54% não gosta de gente que só reclama na rede. Claro, 64% se irritam mesmo é quando alguém compartilha conteúdos impróprios para o ambiente on-line, como fotos explícitas ou de caráter blasfemo.
A pesquisa, por fim, nos leva a entender o momento de transição que vive o brasileiro: rápida adoção a novos hábitos digitais e os conflitos ocasionados por eles. Lembro da pesquisadora Sherry Turkle, do MIT, que afirma que nós nos sentimos muito mais seguros em conversar e compartilhar informações através do mundo digital, do que pessoalmente. A pesquisa da Intel ratifica: 44% dos adultos brasileiros se sentem mais confortáveis nos laços pessoais de diálogo e compartilhamento através das telinhas.

A transição nos leva para um novo contexto, que indica muito mais ubiquidade dos bits do que se espera. Não reparamos mais em certos detalhes, como ligar o PC e não ter mais de se conectar para acessar – com internet a cabo, já estamos conectados e apenas quando há problemas é que reparamos na conexão.

O cuidado necessário com essa evolução não parece mais ser do isolamento físico, mas de atenção: com um dispositivo móvel conectado, em mãos, podemos escolher nos isolar facilmente, ainda que cercado por amigos que aguardam um olhar que não seja compartilhado.

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