cropped-tecladohome.png

Entre garfos e smartphones

Era um almoço de domingo no restaurante que vou com a família quase toda semana. Sentamos para comer e eu fiquei exatamente em frente a uma dupla curiosa. Mãe e filha que já tinham terminado de almoçar e pareciam conversar. Pareciam.

A filha era uma adolescente de no máximo 12, 13 anos. A mãe segurava um smartphone e tentava fazer login no Facebook. A garota falava rápido, contava histórias à mãe, que não olhava pra ela. Repetidas vezes a menina perguntava algo, ficava sem resposta, questionava novamente e recebia um olhar rápido. A mãe a respondia enquanto digitava, entregava meio segundo de olhar e retomava a atenção à tela do gadget.

Em busca da atenção, a menina começou a provar uns óculos escuros que estavam em sua bolsa. Colocava alguns, pedia para a mãe opinar e o olhar da progenitora seguia concentrado na tela do smartphone. No segundo par de óculos, a menina chegou a repetir mãe, mãe, mãaaae? No terceiro chamado ela ganhou mais alguns inexpressivos segundos de atenção.

Fiquei atento e, confesso, um tanto surpreso. Estou adaptado a cena oposta (geralmente com os pais usando de autoridade). É aquele papo sobre a realidade dos adolescentes e jovens que estão fissurados em olhar para baixo em todo tempo – para a pequena tela. Na fila do banco, no consultório médico ou mesmo caminhando na rua estamos sempre de olho no smartphone. As últimas notificações do Whatsapp tomam nossa atenção no jantar da família, na mesa do bar. O Facebook em comerciais deste ano até valoriza a fuga das conversas chatas para o que acontece em outro ambiente. Você não precisa estar presente de verdade se o que está em sua frente não te interessa.

Não é novidade que a gente encontre pais e avós que passaram pela transição de buscar ansiosamente se adaptar aos novos ritmos. Alguns gastam mais tempo no Facebook do que os seus filhos e netos. Não se trata de uma inversão de situação. Adolescentes continuam fissurados em seus smartphones, mas não deixa de ser curioso. Aquela mãe certamente não poderá cobrar da filha um pouco mais de atenção contra seu futuro tablet ou smartphone.

Compartilhe:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *