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Educação online: o meu e o seu futuro

“Vivemos a era da informação” é um clichê já antigo, em nível de décadas. A Internet patenteou a ideia de que respiramos informação o tempo todo e questionar alguém “quanto tempo você gasta conectado por semana” é a pergunta mais datada do mundo.

O que me parece uma novidade e consequência dessa era informacional é uma espécie de grande era do aprendizado. O conceito de Educação a Distância (EAD), no sentido mais universitário da palavra, já vive um crescimento gradual no Brasil. Mas não é na capacitação formal, proporcionada pelas universidades licenciadas pelo MEC, onde está o fator-chave. Segundo o Censo EAD.BR 2011, passamos de 3,5 milhões de estudantes à distância no país. Acontece que mais da metade desses, 56%, foram capacitados através de cursos livres. Ou seja, ofertas não-acadêmicas de aperfeiçoamento profissional e pessoal – eis o ponto de virada do jogo.

Existe um mundo na Internet, paralelo à EAD formal, que beneficia o crescimento da educação. Ele não depende de um professor e um aluno na forma tradicional de enxergar essa situação de aprendizado. Tal qual o modelo que a Internet estabeleceu com o avanço da chamada Web Social ou 2.0, todos comunicam, todos produzem conteúdo, todos ensinam, todos aprendem.

Um dos grandes marcos para esse processo é o YouTube. O site vem se consolidando no Brasil, cada vez mais intensamente, menos como um canal de distribuição e mais como rede social de Internet. Uma ferramenta que conecta pessoas através de conteúdos em vídeo. Dessa forma, milhões de interessados em ensinar o que aprenderam, contribuem com novos aprendizes através de vídeos veiculados ali. Como fazer uma maquiagem para uma festa ou como refazer uma maquiagem no Adobe Photoshop; como fazer uma mixagem de duas músicas ou passar daquele nível impossível no game da vez.

Pouco importando o nível de importância ou relevância acadêmica da situação, os educadores de YouTube vivem o que faz diferença para eles: o desejo de passar pra frente o que aprenderam. Adolescentes que gravam seus vídeos explicativos e ganham dezenas de milhares de visualizações por suas competências. E por alguns minutos ganham mais atenção do que um professor sonha conquistar de 30 adolescentes em sala de aula.

É importante ressaltar, sem dúvida, o trabalho já estabelecido por programas de EAD profissionais, como a escola de matemática de Gustavo Reis ou o Rota dos Concursos, ou tantos sistemas de ensino das universidades do país. Como estes, existem inúmeros casos de sucesso nacionais, focados em fornecer as bases para novas demandas do país. Entretanto, esta dinâmica livre no YouTube, ainda que falha, proporciona um avanço diferente.

Na velocidade em que o Brasil cresce hoje, a demanda por capacitação cresce ainda mais rápido. É por isso que precisamos avançar nesse espírito de aprendizado coletivo, livre, mas também profissional, que a Internet e suas plataformas gratuitas podem proporcionar. Quem sabe o professor de Photoshop no YouTube ou a tutora de maquiagem não sejam os próximos profissionais a inovar na EAD acadêmica?

Originalmente publicado na coluna “Cultura Digital”, do Jornal da Paraíba.

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